Ciência / Meio ambiente

Fé e ciência (in)compatíveis?

O Padre Georges Lemaître foi quem primeiro sugeriu o que mais tarde viria a chamar-se a teoria do Big Bang sobre a origem do universo

Companhia dos Filósofos
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Companhia dos Filósofos
22.08.2013
High School Teacher Program Promotes Unity of Faith, Science Jeffrey Bruno

Uma das ideias recorrentes na argumentação que defende a incompatibilidade entre a ciência e a religião é a de que no ocidente, durante a Idade Média e até ao Renascimento, não houve ciência porque a Igreja o impediu. Esta perspectiva parece aceitar que a ciência moderna teve início – para além da tradição islâmica – apenas no Renascimento, como que a partir do zero, tendo a investigação científica entrado imediatamente em conflito com a autoridade religiosa, separando-se da sua esfera. Esta perspectiva persiste em ignorar estudos de história da ciência que colocam em evidência as raízes medievais da ciência moderna (Edward Grant, Os Fundamentos da Ciência Moderna na Idade Média; id., Physical Sciences in the Middle Ages; David Lindberg (ed), Cambridge History of Science: The Middle Ages; William Wallace, Prelude to Galileo: Essays on Medieval and Sixteenth-Century Sources of Galileo’s Thought).

 

Continua-se também a ignorar que o génio de Galileu não surgiu nem se formou a partir do nada, e que ele manteve estreitas relações com muitos dos seus contemporâneos Católicos, como os Jesuítas do Colégio Romano, que tinham um observatório astronômico no qual tinha lugar investigação do melhor nível que então se fazia na Europa, e cujos resultados transmitiam aos seus alunos em aulas às quais assistiu o próprio Galileu (William Wallace, Galileo and His Sources: Heritage of the Collegio Romano in Galileo’s Science). Ainda hoje os Jesuítas continuam a fazer investigação de ponta a partir do Observatório Astronómico de Castelgandolfo, e na sua seção no Arizona, Estados Unidos.

 

A argumentação a favor do conflito entre ciência e religião procede também por exemplos. Galileu e o seu conflito com a Inquisição é exemplo de citação obrigatória. Mas uma tal argumentação deve escolher cuidadosamente os casos de conflito e ignorar os casos de não conflito. Por exemplo, o Jesuíta Ruger Boskovic (1711-1787) é considerado um dos precursores da moderna teoria atómica da matéria e o Padre Georges Lemaître foi quem primeiro sugeriu o que mais tarde viria a chamar-se a teoria do Big Bang sobre a origem do universo (The Primeval Atom). Nenhum deles criou qualquer conflito com as autoridades religiosas, mas estes exemplos são cuidadosamente ignorados porque deitariam facilmente por terra toda a argumentação dos não crentes. Os crentes sabem que a questão é complexa, mas para os não crentes tudo parece muito simples e evidente.

Uma das ideias recorrentes na argumentação que defende a incompatibilidade entre a ciência e a religião é a de que no ocidente, durante a Idade Média e até ao Renascimento, não houve ciência porque a Igreja o impediu. Esta perspectiva parece aceitar que a ciência moderna teve início – para além da tradição islâmica – apenas no Renascimento, como que a partir do zero, tendo a investigação científica entrado imediatamente em conflito com a autoridade religiosa, separando-se da sua esfera. Esta perspectiva persiste em ignorar estudos de história da ciência que colocam em evidência as raízes medievais da ciência moderna (Edward Grant, Os Fundamentos da Ciência Moderna na Idade Média; id., Physical Sciences in the Middle Ages; David Lindberg (ed), Cambridge History of Science: The Middle Ages; William Wallace, Prelude to Galileo: Essays on Medieval and Sixteenth-Century Sources of Galileo’s Thought).

 

Continua-se também a ignorar que o génio de Galileu não surgiu nem se formou a partir do nada, e que ele manteve estreitas relações com muitos dos seus contemporâneos Católicos, como os Jesuítas do Colégio Romano, que tinham um observatório astronômico no qual tinha lugar investigação do melhor nível que então se fazia na Europa, e cujos resultados transmitiam aos seus alunos em aulas às quais assistiu o próprio Galileu (William Wallace, Galileo and His Sources: Heritage of the Collegio Romano in Galileo’s Science). Ainda hoje os Jesuítas continuam a fazer investigação de ponta a partir do Observatório Astronómico de Castelgandolfo, e na sua seção no Arizona, Estados Unidos.

 

A argumentação a favor do conflito entre ciência e religião procede também por exemplos. Galileu e o seu conflito com a Inquisição é exemplo de citação obrigatória. Mas uma tal argumentação deve escolher cuidadosamente os casos de conflito e ignorar os casos de não conflito. Por exemplo, o Jesuíta Ruger Boskovic (1711-1787) é considerado um dos precursores da moderna teoria atómica da matéria e o Padre Georges Lemaître foi quem primeiro sugeriu o que mais tarde viria a chamar-se a teoria do Big Bang sobre a origem do universo (The Primeval Atom). Nenhum deles criou qualquer conflito com as autoridades religiosas, mas estes exemplos são cuidadosamente ignorados porque deitariam facilmente por terra toda a argumentação dos não crentes. Os crentes sabem que a questão é complexa, mas para os não crentes tudo parece muito simples e evidente.

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